Gonçalves realiza formação para Ministros Extraordinários da Eucaristia

A Paróquia Nossa Senhora das Dores de Gonçalves realizou no sábado, 28 de abril, sob a orientação do pároco, Padre Inácio Pires, e a participação de uma equipe de agentes pastorais de Paraisópolis, a 1ª etapa do curso preparatório para os novos Ministros Extraordinários da Comunhão Eucarística da comunidade.

Aproximadamente 50 fiéis leigos dos bairros rurais e da cidade participaram de forma elogiável das exposições dos palestrantes apresentando inclusive comentários e questionamentos a respeito dos quatro temas da noite: ano litúrgico, sacramentos, espiritualidade e objetos sagrados.

Nossos cumprimentos ao Padre Inácio pela realização do evento e aos participantes pela resposta generosa ao convite do pároco!

Veja fotos do evento.

 

 

 

 

 

 

 

Paraisópolis se prepara para as Santas Missões Populares

Imagem divulgação internet

A Igreja é por natureza missionária. Foi o próprio Jesus que enviou seus discípulos em missão: “Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura” (Mc 16,15). E o Documento de Aparecida esclarece: “Todos os membros da comunidade paroquial são responsáveis pela evangelização dos homens e mulheres em cada ambiente. O Espírito Santo, que atua em Jesus Cristo, é também enviado a todos enquanto membros da comunidade, porque sua ação não se limita ao âmbito individual. A tarefa missionária se abre sempre às comunidades, assim como ocorreu no Pentecostes” (cf. At 2,1-13).

A Paróquia São José de Paraisópolis está em processo de preparação das Santas Missões Populares, que, sob a orientação do pároco, Padre Vanir Ramos Barbosa, e do vigário paroquial, Padre João Batista de Godoi, terão seu início na Comunidade São Geraldo. Ao mesmo tempo em que se realiza a formação dos missionários leigos, está sendo concluída a etapa de visita às casas para o levantamento de dados de todas as famílias da comunidade.

Em continuidade a diversos eventos preparatórios, os seminaristas Leandro e Flávio coordenaram no dia 29 último, Domingo do Bom Pastor, no Centro Pastoral São Geraldo, momentos de oração e de reflexão de um grupo de missionários. Proximamente outros encontros serão realizados em vista do início efetivo das Missões.

Fotos do evento

 

Arquidiocese de Pouso Alegre acolhe novo presbítero

“Ó Senhor, sois minha herança para sempre”. Esse foi o lema escolhido pelo diácono Luís Carlos Osti para sua ordenação presbiteral realizada na noite da última sexta-feira, 27, no Santuário Nossa Senhora da Medalha Milagrosa, em Monte Sião.

A Celebração Eucarística foi presidida pelo Arcebispo Metropolitano, Dom Ricardo Pedro Chaves Pinto Filho, e concelebrada por dezenas de padres. Centenas de fieis, entre familiares e amigos do ordenando participaram da Eucaristia.

Em sua homilia, o Arcebispo ressaltou que o momento da ordenação é de alegria para toda Igreja, lembrando que a vocação sacerdotal é dom de Deus.

Veja outros momentos da ordenação presbiteral de Luís Carlos Osti

“A graça de Jesus Cristo que foi derramada no seu coração é a força para você (Luís Carlos) exercer o seu ministério. Vocação não é uma coisa simples, quando você fala que achou bonito e resolveu ser padre. Vocação é dom de Deus”, afirmou.

Segundo Dom Ricardo, o presbítero deve ter intimidade com Aquele que o chamou: Jesus Cristo. E que todo o ministério seja conduzido pelo amor.

“Jesus deixou um ensinamento muito especial para o presbítero e para todos os batizados: Amai-vos uns aos outros como eu vos amei. É esse amor que incentiva a vida sacerdotal. A nossa missão (de presbíteros) é amar a Deus e aos irmãos”, lembrou.

O Metropolita, já no final de sua reflexão, ainda encorajou Luís Carlos Osti em seu sacerdócio.

“Luís, sede corajoso. Não tenha medo. Confie nesse amor que Deus lhe deu. Seja firme na oração, porque o padre que não reza corre um grande risco em sua vida, corre o risco de ficar pelo caminho. O mundo precisa de sacerdotes santos, mesmo que sejam frágeis”, finalizou.

Em seu agradecimento, já no final da Celebração Eucarística, o padre Luís Carlos ressaltou a importância do incentivo que as pessoas foram dando ao longo do seu processo vocacional.

“Agradeço a todos que acompanharam, acolheram e sonharam comigo este momento. Que o Senhor conceda graças e benção as vocês que, direta ou indiretamente, dedicaram seu tempo para que este dia se transformasse num projeto realizado, em que a entrega total e definitiva ganhasse corpo no ministério sacerdotal”, agradeceu.

 

Por Andrey Nicioli

Veja outros momentos da ordenação presbiteral de Luís Carlos Osti

Toda a Arquidiocese de Pouso Alegre celebrou na noite da última sexta-feira, 27, a Eucaristia na qual foi ordenado presbítero o Diácono Luís Carlos Osti. A celebração foi presidida pelo Arcebispo Metropolitano Dom Ricardo Pedro Chaves Pinto Filho.

Arquidiocese de Pouso Alegre acolhe novo presbítero

Dom Ricardo lembrou a todos que o padre é o homem da Palavra e também da Oração.

“Para exercer o ministério sacerdotal, o padre precisa estar numa sintonia total com o Cristo, aquele que o chamou. É preciso estar atento à obediência a Cristo, fazer a vontade daquele que fez o chamado”, lembrou.

Veja mais momentos da ordenação

Diác. Luís Carlos e seus familiares

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Dom Ricardo presidiu a Celebração

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Diác. Valdair durante proclamação do Evangelho

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ordenando entrega sua vida numa constante resposta ao chamado de Deus

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Prostrar-se por terra é o sinal da reverência e humildade

 

 

 

 

 

 

 

A imposição das mãos é um gesto Bíblico, por meio do qual se transmite o poder de serviço

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Demais padres, em silêncio, impõem as mãos sobre o eleito

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Pe. Adilson Rocha e Pe. Luís Carlos são da mesma turma de seminário

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Pe. Luís Carlos dá sua primeira benção como sacerdote

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Da mesma turma dos padres Adilson e Luís Carlos, Diác. Valdair será ordenado dia 12 de maio

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Pe. Luís Carlos durante sua primeira concelebração

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Centenas de pessoas participaram da Celebração Eucarística

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fotos Andrey Nicioli


Reflexão do 4º Domingo da Páscoa – Ano B – 29/04/2012

Evangelho: Jo 10, 11 – 18

1. O contexto do capítulo 10 de João é o da festa da Dedicação do templo. Os exilados que voltaram da Babilônia comemoraram esse acontecimento no ano 515 a.C. e Judas Macabeu criou a festa da Dedicação no ano 164 a.C..

2. Nessa ocasião lia-se o capítulo 34 de Ezequiel (denúncia dos maus pastores de Israel), que serve de pano de fundo para o capítulo 10 de João: este texto é fortemente polêmico em relação às instituições que massacravam o povo, sustentadas pelas lideranças político-religiosas do tempo.(Vale a pena ler … é indispensável ler Ez 34 para entender o Bom Pastor).

3. Assim podemos concluir:
– o templo é o curral de onde Jesus tira as ovelhas (povo),
– pois aí mandavam lideranças injustas e exploradoras (mercenários)
– que mantinham a população submissa em nome de Deus.

4. Capítulo 9: o cego de nascença. O cego do capítulo 9 de João é:
– o tipo de pessoa que ouve a voz de Jesus e o segue,
– deixando o curral (ele na verdade, foi expulso pelas lideranças do povo).

5. Assim, Jesus é a porta que conduz para fora das instituições que não promovem a vida. Por ele as ovelhas saem e encontram pastagens e vida em abundância (cf. 10,10). Jesus é porta também em outro sentido: ele é o que introduz o ser humano na vida de Deus. Entrando por Jesus-porta, as ovelhas encontram com o Pai e seu projeto (cf. 14,6: “eu sou o Caminho”).

6. Ao dizer “Eu sou o Bom Pastor”, Jesus se põe em pé de igualdade com o Deus libertador do Êxodo que assim se deu a conhecer a Moisés: “Eu sou aquele que sou” (Ex 3,14), e assim quer ser lembrado de geração em geração.

6. Jesus bom pastor é, portanto, a memória e a presença viva do Deus que conduz o povo para fora das garras de tudo o que oprime e diminui a vida. Com ele acontece o êxodo definitivo: com ele iniciamos o novo e definitivo êxodo rumo à vida em plenitude que Deus quer para todos.

7. Versículos 11-13: contrapõem o pastor – que é Jesus – aos mercenários que são as lideranças político-religiosas do tempo e de todas as épocas. Jesus é muito severo: chama de ladrões e assaltantes os que vieram antes dele (v.8). Por que o mercenário é ladrão e assaltante do povo? Porque os seus objetivos contrastam com os de Jesus:

– Jesus dá a vida por suas ovelhas,
– os mercenários tiram a vida e a liberdade do povo.
– quem não ama o povo até dar a vida por ele não é pastor.
– quem vê o lobo estraçalhar o povo e salva a própria pele, ou pior, tira vantagem disso, não merece o nome nem a função de pastor. O povo não o ouve nem o segue(v.8).

8. Diante de Jesus, não há meio-termo:
– ou estamos a serviço do povo até o fim, dando a vida por ele e assim nos assemelhamos com Jesus,
– ou somos mercenários e exploradores, ladrões e assaltantes, coniventes com as situações e as estruturas que geram a morte da nossa gente.

9. Versículos 14-16: desenvolvem a relação pastor-ovelha. A relação pastor-ovelha é sintetizada no conhecimento mútuo. Conhecer Jesus e ser conhecido por ele. Conhecer, que na Bíblia, se traduz em experiência e presença ao mesmo tempo. Conhecê-lo, portanto, é experimentá-lo como presença que liberta e dá a vida. O v. 16 alarga os horizontes a dimensões universais (como é próprio do evangelho de João): “tenho outras ovelhas que não são deste redil. Também a elas eu devo conduzir; ouvirão a minha voz e haverá um só rebanho e um só pastor”.

10. Os versículos finais (17-18) falam da relação existente entre Jesus e o Pai. A vida de Jesus foi uma contínua manifestação da vontade e do amor de Deus para com a humanidade. A suprema prova desse amor se deu na “hora” de Jesus (sua paixão, morte e glorificação), quando entregou a vida para retomá-la na ressurreição.

11. “Assim como Jesus, quem dá a si mesmo até a morte – por amor – não o faz para recuperar a vida como prêmio para este sacrifício (mérito), mas com a certeza de poder tomá-la de novo pela força do próprio amor” (J.Mateos-J.Barreto).

1ª. Leitura: At 4, 8 – 12

12. O texto de hoje faz parte do discurso de Pedro diante do Sinédrio, o supremo tribunal da época, o mesmo que condenou Jesus à morte. Os discípulos estão diante dos mesmos conflitos enfrentados por Jesus. Para o autor dos Atos a prática de Jesus se prolonga na de seus seguidores. Como Jesus foi preso, e na manhã seguinte, apresentado ao tribunal (cf. Lc 22,66), também os discípulos (Pedro e João) passaram uma noite na cadeia e na manhã seguinte comparecem diante do Sinédrio.

13. A leitura do texto apresenta o discurso de Pedro, “cheio do Espírito Santo”, às lideranças político-religiosas do tempo. Esse detalhe é importante, pois em Lucas 12,11-12, Jesus havia dito aos discípulos que o Espírito Santo falaria por eles nos momentos mais difíceis: “quando introduzirem vocês diante das sinagogas, magistrados e autoridades, não fiquem preocupados como ou com que vocês se defenderão, ou o que dirão, pois, nessa hora, o Espírito Santo ensinará o que vocês devem dizer”.

14. Pedro começa desmascarando a falsidade do Sinédrio: “Hoje estamos sendo interrogados em julgamento por termos feito o bem a um enfermo e pelo modo como foi curado” (v.9). Pode alguém ser levado ao tribunal pelo fato de fazer o bem: ter restituído a saúde a um coxo de nascença? Aí reside a hipocrisia do Sinédrio: em vez de se preocupar com a liberdade, justiça e vida do povo, seus membros estão envolvidos com a opressão, a injustiça e morte do povo.

15. Os membros do Sinédrio perguntam: em nome de quem, isto é, com que autoridade os discípulos fizeram o coxo andar (v.7). Isso prova que o Sinédrio não está interessado na vida do povo, e sim na sua submissão. Por quê? E por temem o poder que comunica vida ao povo?

16. A resposta de Pedro contém um anúncio e uma denúncia. Anúncio: o novo poder que comunica vida é o nome de Jesus Cristo, de Nazaré, morto e ressuscitado, pois nenhuma libertação é possível fora dele: em nenhum outro há salvação, pois não existe debaixo do céu outro nome dado aos homens pelo qual possamos ser salvos” (v.12). Denúncia: a acusação é tão forte quanto o anúncio: “vocês crucificaram Jesus de Nazaré … ele é a pedra que vocês, os construtores, desprezaram, e que se tornou a pedra angular” (vv.10.11).

17. Os dirigentes do povo, particularmente os doutores da Lei, gostavam de ser chamados de “os construtores da Lei”. Cabia a eles a responsabilidade na construção de uma sociedade baseada na vida para todos, mas agiam justamente ao contrário. Sobre eles, portanto, pesa o julgamento de Deus.

18. De réu, Pedro se torna acusador da perversão do Sinédrio que destrói o povo. Ele cita o salmo 118, 22 e Isaías 28,16: “Eu vou assentar no monte Sião uma pedra, pedra escolhida, angular, preciosa e bem firmada; quem nela confiar não será abalado”.

19. O salmo 118,22 referia-se ao templo, destruído e reconstruído. Pedro afirma que essa pedra angular, rejeitada, mas escolhida é Jesus Cristo morto e ressuscitado. E quem não se apoia nela para construir a vida do povo e suas relações é um mercenário que explora o povo (expressão deste domingo). Essas pessoas condenam a si próprias, pois, no dizer de Jo 3,18, “quem acredita nele não está condenado; quem não acredita já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho único de Deus”.

2ª. Leitura: 1 Jo 3, 1 – 2

20. Os versículos de hoje fazem parte de uma seção maior – de 2,29 a 4,6 -, cujo tema é viver como filhos de Deus. Como fazer isso?
20.1. Os dissidentes carismáticos (adeptos da gnose) afirmavam que era mediante um conhecimento religioso especial e pessoal.
20.2. O autor da carta prova o contrário. Viver como filhos de Deus implica a prática da justiça: “todo aquele que pratica a justiça, nasceu de Deus” (2,29). A prática da justiça mostra que Deus é justo e nos torna seus filhos. Portanto, ser filho de Deus é estar em sintonia com o projeto do Pai.

21. A grande força que sustenta a caminhada da comunidade cristã, apoiando e encorajando a luta pela implantação do projeto de Deus é o amor do Pai, salienta o texto.

22. O conflito está bem presente no texto. João o tematiza empregando a expressão “o mundo” = os que não aderiram ao projeto de Deus. O “mundo” (descompromissado com a vontade divina) não reconhece, isto é, hostiliza, calunia, difama e persegue os que desejam implantar na terra a justiça (cf. 3,1).

23. Os cristãos, porém, têm condições de superar as dificuldades e conflitos da caminhada. Sua força está em serem filhos de Deus. Por ora não é possível ver claro o que vamos ser, porque a manifestação de Cristo ainda não é plena. Mas, quando se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque o veremos como ele é (3,2).

24. Somos filhos de Deus agora (3,1-3). Afirmar a realidade presente do amor de Deus ao fazer dos cristãos “filhos de Deus” tem três consequências:
1. os cristãos não pertencem ao mundo, que deixou de receber Jesus (Jo 15,18-19;17,14-16).
2. os cristãos levarão uma vida de santidade como Cristo (Jo 17,17-19).
3. os cristãos confiam em uma salvação ainda maior no futuro (Jo 17,24).

25. Seremos semelhantes a ele… Este era um tema comum na religião helenística: que “o semelhante conhece o semelhante”; o ser humano que conhece a Deus é divinizado. Para a tradição joanina esta experiência é mediada por Jesus. Jesus possuía o nome divino e igualdade com Deus (17,11-12). Ele compartilhou este nome com os discípulos (17,6.26). Eles participaram do destino de Jesus nas mãos do mundo (Jo 15,21) e testemunharão sua glória preexistente (17,24). (Novo Comentário Bíblico SJ)

R e f l e t i n d o . . .

1. O bom Pastor dá a vida pelas ovelhas. Cristo é o próprio pastor, em oposição aos mercenários (imagens tomadas de Ez 34). Os mercenários não dão sua vida pelo rebanho. Jesus, sim. Todo mundo entende essa comparação. O sentido é óbvio: Jesus deu, -na cruz-, sua vida por nós.

2. Para João, porém, ela esconde um sentido mais profundo: a vida que Jesus dá não é apenas a vida física que ele perde em nosso favor, mas a vida de Deus que ele nos comunica (exatamente ao perder sua vida física por nós).
2.1. Esta ideia constitui a ligação com a imagem precedente (a porta): em Jo 10,10b, Jesus diz que ele veio para “dar a vida” e dá-la em abundância; e continua, em 10,11, apontando sua própria vida como sendo esta vida em abundância que ele dá.
2.2. Nos vv. 17-18 aparece, então, que ele dá essa vida com soberania divina (ele tem o poder de retomá-la; ninguém lha rouba): doando-se por nós, nos faz participar da vida divina, porque entramos na comunhão do amor de Jesus e daquele que o enviou (estas ideias são elaboradas em Jo 14-17, esp. 15,10.13; 17,2.3.26).

3. A vida que Jesus nos dá é o amor do Pai, que nos faz viver verdadeiramente e nos torna seus filhos. Agora já temos certa experiência disso, a saber, na prática deste amor que nos foi dado. Mas essa experiência é ainda inicial; manifestar-se-á plenamente quando o Cristo for completamente manifestado na sua glória: então, seremos semelhantes a ele.

4. Desde já, nossa participação desta vida divina nos coloca numa situação à parte: na comunidade do amor fraterno, que o mundo não quer conhecer e, por isso, rejeita (1 Jo 3,1c). É a “diferença cristã”! (II leit.)

5. Porém, esta diferença cristã não é fechada, exclusivista mas aberta. É uma identidade não autossuficiente, mas comunicativa. João insiste várias vezes neste ponto: -Jesus é a vítima de expiação pelos pecados não só de nós, mas do mundo inteiro (1 Jo 2,2); Jesus tem ainda outras ovelhas, que não são “deste redil” (Jo 10,16). O amor, que é a vida divina comunicada pelo Pai na doação do Filho, – verifica-se na comunidade dos fieis batizados, confessantes e unidos (esta é a grande diferença!). Mas não se restringe a essa comunidade. Não só porque existem outras comunidades, mas porque a salvação é para todos.

6. A atuação dos primeiros cristãos (I leit.) deve ser entendida nesse sentido. Formam uma comunidade que, – sociologicamente falando, – pode ser caracterizada como seita. Porém, não é uma seita autossuficiente, mas transbordante de seu próprio princípio vital, o “nome de Jesus Cristo” (= toda a realidade que ele representa).

7. Quando um aleijado, na porta do templo, dirige a Pedro seu pedido de ajuda, este comunica-lhe o “nome de Jesus” (At 3,6). Daí se desenvolve todo um testemunho (ver domingo passado) . Este testemunho leva à intervenção das autoridades, sempre desconfiadas dos pequenos grupos testemunhantes. Pedro e João são presos e levados diante do Sinédrio, que pergunta em nome de quem eles agem assim. “No nome de Jesus Cristo Nazareno, crucificado por vós, mas ressuscitado por Deus … Em nenhum outro nome há salvação, pois nenhum outro nome foi dado sob o céu por quem possamos ser salvos” (At 4,10-12; cf. Jo 17,3: “a vida eterna é esta: que te conheçam … e àquele que tu enviaste”).

8. É essa a conclusão do “sinal” do aleijado da Porta Formosa: a cura que lhe ocorreu significava a “vida” em Jesus Cristo. Esta deve ser também a conclusão de todo agir cristão no mundo: dar a vida de Cristo ao mundo, pelo testemunho do amor. Tal testemunho convida a participar do amor do qual Jesus nos fez participar, dando sua vida “por seus amigos”. Isto é pastoral !

9. O evangelho traz as palavras de Jesus sobre o “Bom Pastor” e a 1ª. leitura nos mostra o primeiro pastor da jovem comunidade cristã, Pedro, defendendo o rebanho perante o supremo conselho dos judeus em Jerusalém. Dois exemplos de pastores que põem em jogo sua vida em prol das ovelhas. Por isso, também, este é o domingo das vocações “pastorais”.

10. Para assimilar melhor a mensagem é preciso entender o que significa a imagem do “pastor” nas estepes da Judeia. O povo de Judá era um povo de pastores de ovelhas e cabras (Davi era pastor quando foi chamada para ser rei). Ora, havia pastores proprietários, para quem o rebanho era seu sustento, e assalariados, que não se importavam muito com o rebanho … Todo judeu conhecia a história de Davi, que enfrentara um leão para defender o rebanho (1 Sm 17,34). E conheciam também as advertências proféticas contra os maus pastores de Israel (reis e chefes) que se engordavam às custas das ovelhas (Ez 34,2).

11. O pastor “certo” é Jesus, diz Jo 10,11. Ele conduz as ovelhas com segurança, dando a vida por elas, pois são pedaços do seu coração, à diferença dos assalariados, que fogem quando se apresenta um perigo … Jesus é o pastor de verdade, o Messias, o novo Davi e muito mais! Ele dá a vida pelas ovelhas. O caminho pelo qual ele conduziu as ovelhas foi o do amor até o fim. Ele deu o exemplo. Sua vida certamente não esteve em contradição com sua “pastoral”, como acontece com outros…

 

Material Elaborado pelo Prof. Ângelo Vitório Zambon
Comissão Arquidiocesana de Liturgia – Campinas

Fontes: Bíblia de Jerusalém, Bíblia do Peregrino, Dicionário Bíblico (Mckenzie), Liturgia Dominical (Konings), Dicionário de Liturgia, Vida Pastoral, Homilias e Sugestões (BH), Roteiros Homiléticos (Bortolini).