Família em foco

A Assembléia de 2010 elegeu três prioridades para a Ação Evangelizadora da Arquidiocese de Pouso Alegre para o período 2010-2014: Comunidade e Missão, Família e Juventude nas suas diversidades e Compromisso Sócio-transformador. Diversas são os eventos relacionados à segunda prioridade que deverão ser realizados em 2012. Para conhecê-los melhor entrevistamos o Prof. Takumi Noda, Coordenador da Pastoral Familiar Arquidiocesana.

1. Como parte do Plano de Ação Evangelizadora da Arquidiocese de Pouso Alegre, três importantes eventos relacionados à Família serão realizados neste ano (2012). Quais são eles, quando e onde acontecerão?

Prof. Takumi: Encontro arquidiocesano: no dia 22 de abril, em Pouso Alegre, das pessoas que trabalham com as famílias nas comunidades paroquiais; Aprofundamento da espiritualidade: encontros nas comunidades paroquiais, no mês de maio ou junho, conforme decisão de cada CCP, acolhendo todas as famílias da comunidade; Assembleia paroquial: no mês de agosto ou setembro, conforme decisão do CPP, com representantes das comunidades paroquiais, sobre a evangelização da família e elaboração de um Plano de Ação Paroquial.

2. Qual é o objetivo principal do Encontro Arquidiocesano com os que trabalham com as famílias?

Prof. Takumi: – Articular todas as pastorais afins e movimentos familiares que atuam nas comunidades paroquiais para que haja comunhão, inserção e uma união coordenativa nos trabalhos de evangelização de cada força viva.

3. Quem deverá participar do encontro de aprofundamento da espiritualidade nas paróquias? Quais os responsáveis pela organização desse encontro?

Prof. Takumi: Todas as famílias e os jovens, especialmente aqueles que estão afastados da vida comunitária. A responsabilidade da realização do encontro é do CCP. Busca acolher na diversidade para depois evangelizar.

4. E sobre a Assembleia Paroquial prevista para o mês de agosto ou setembro, o que o senhor tem a ressaltar?

Prof. Takumi: Trata-se de uma nova maneira de evangelizar as famílias nas suas diversidades, buscando ouvir as bases da nossa Arquidiocese – as comunidades paroquiais – com o objetivo de levantar quais os anseios e sede a serem saciadas. As propostas de ação serão encaminhadas à subcomissão de família do Conselho Arquidiocesano de Pastoral (CAP), que terá um subsídio valioso para a elaboração de ações em níveis de arquidiocese e setores.

5. Qual é o grau de importância da participação dos sacerdotes e dos agentes pastorais na organização da Assembléia Paroquial, que terá como tema “As famílias e a comunidade”?

Prof. Takumi: Conscientizar os membros da comunidade sobre a missão da Igreja em relação às famílias conforme o Documento de Aparecida e do DGAE 2011-2015 e incentivar ações orgânicas de evangelização das famílias que as compõem.

Vivendo a Semana Santa

A Semana Santa é o grande retiro espiritual das comunidades eclesiais. Convida os cristãos à conversão e renovação de vida. Inicia-se com o Domingo de Ramos e se estende até o Domingo da Páscoa. É a semana mais importante do ano litúrgico, quando se celebram de modo especial os mistérios da paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo.

DOMINGO DE RAMOS

Nesse dia celebra-se a entrada de Jesus em Jerusalém, onde completa sua missão, que culminará com a morte na cruz. Conforme relatos dos evangelhos muitas pessoas homenagearam a Jesus, estendendo mantos pelo chão e aclamando-o com ramos de oliveira. Por isso os fiéis carregam ramos, recordando o acontecimento, repetindo o que aconteceu em Jerusalém, expressão de que Jesus é o único mestre e Senhor.

2ª a 4ª FEIRA-SANTA

Nesses dias, a Liturgia apresenta textos bíblicos que enfocam a missão redentora de Cristo. Não há celebração litúrgica especial; realizam-se procissões, vias-sacras, celebrações penitenciais e outras atividades, para realçar o sentido da Semana.

TRÍDUO PASCAL

O ponto alto da Semana Santa é o Tríduo Pascal, que se inicia com a missa vespertina da Quinta-feira Santa e se conclui com a Vigília Pascal, no Sábado Santo. Os três dias formam uma só celebração, que resume todo o mistério pascal. Por isso, nas celebrações da quinta-feira à noite e da sexta-feira não se dá a bênção final; ela só será dada, solenemente, no final da Vigília Pascal.

Quinta-feira Santa – Dia da instituição da Eucaristia e do Sacerdócio ministerial

De manhã celebra-se a Missa do Crisma na sede das dioceses. Em nosso caso, na Catedral de Pouso Alegre.

À noite realiza-se a celebração solene da Missa, em que se revive a instituição da Eucaristia e do Sacerdócio ministerial. Nessa missa realiza-se a cerimônia do lava-pés, em que o celebrante atualiza o gesto de Cristo que lavou os pés dos seus apóstolos. Esse gesto procura transmitir a mensagem de que o cristão deve ser humilde e servidor. Nessa celebração também se recorda o mandamento novo que Jesus deixou: “Eu vos dou um novo mandamento, que vos ameis uns aos outros assim como Eu vos amei.” Comungar o corpo e sangue de Cristo na Eucaristia implica a vivência do amor fraterno e do serviço. Essa é a lição da celebração.

Sexta-feira Santa

A Igreja contempla o mistério do grande amor de Deus pelos homens. Recolhe-se no silêncio, na oração e na escuta da palavra divina, procurando entender o significado profundo da morte do Senhor. Neste dia não há missa. À tarde acontece a Celebração da Paixão e Morte de Jesus, com a proclamação da Palavra, a oração universal, a adoração da cruz e a distribuição da Sagrada Comunhão.

Na primeira parte, são proclamados um texto do profeta Isaías sobre o Servo Sofredor, figura de Cristo, outro da Carta aos Hebreus que ressalta a fidelidade de Jesus ao projeto do Pai e o relato da paixão e morte de Cristo do evangelista João. São três textos muito ricos e que se completam, ressaltando a missão salvadora de Jesus Cristo.

O segundo momento é a Oração Universal, compreendendo diversas preces pela Igreja e pela humanidade. Aos pés do Redentor imolado, a Igreja faz suas súplicas confiante. Depois segue-se o momento solene e profundo da apresentação da Cruz, convidando todos a adorarem o Salvador nela pregado: “Eis o lenho da Cruz, do qual pendeu a salvação do mundo. – Vinde adoremos”.
E o quarto momento é a comunhão. Todos revivem a morte do Senhor e querem receber seu corpo e sangue. É a proclamação da fé no Cristo, que morreu, mas ressuscitou.

Nesse dia a Igreja pede o sacrifício do jejum e da abstinência de carne, como homenagem e gratidão a Cristo, para ajudar-nos a viver mais intensamente esse mistério, e como gesto de solidariedade com tantos irmãos que não têm o necessário para viver.

Mas a Semana Santa não se encerra com a sexta-feira, mas no dia seguinte quando se celebra a vitória de Jesus. Só há sentido em celebrar a cruz quando se vive a certeza da ressurreição.

VIGÍLIA PASCAL 

Sábado Santo é dia de recolhimento, silêncio e oração. A Igreja permanece junto ao sepulcro, meditando no mistério da morte do Senhor e na expectativa de sua ressurreição. Durante o dia não há missa e nenhuma celebração litúrgica.

À noite, a Igreja celebra a solene Vigília Pascal, a “mãe de todas as vigílias”. Revive a ressurreição de Cristo, sua vitória sobre o pecado e a morte. A cerimônia é carregada de ricos simbolismos, que nos lembram a ação de Deus, a luz e a vida nova que brotam da ressurreição de Cristo.

DOMINGO DE PÁSCOA

Nesse dia, celebra-se a festa central e mais importante da vida da Igreja, a Páscoa do Senhor Jesus, ou seja, a Ressurreição Gloriosa do Filho de Deus!

(Adaptado do site: http://www.catequisar.com.br)

Reflexão do Domingo de Ramos – Ano B – 01/04/2012

Evangelho: Mc 15, 1 – 39

1. Os relatos da Paixão são pontos altos dentro da teologia de cada evangelista. O evangelho de Marcos inicia afirmando: “Começo da Boa Notícia de Jesus, o Messias, o Filho de Deus” (1,1). E no relato da paixão-morte-ressurreição de Jesus retornam com força os temas da Boa Notícia de Jesus, Messias e Filho de Deus.

2. A Boa Notícia, – que é a prática de Jesus, – provocou reações em cadeia desde os inícios do evangelho de Marcos. De fato, já em 3,6, os fariseus e alguns do par- tido de Herodes faziam um plano para matá-lo.

3. A morte de Jesus, portanto, não aconteceu por acaso, MAS é resultado de um plano de morte dos líderes religiosos e políticos. Esse plano dá certo porque Judas, um dos que andam com Jesus, rompe o cerco, permitindo que “os de fora” (cf. 4,11) executem seus projetos de morte. Judas é o traidor, e Pedro, um dos que tinham sido chamados a “estar com Jesus” (cf.3,14), reage com energia quando alguém lhe diz: “você também estava com ele” (14,67).

4. Jesus vai até o fim. Ele é a semente que, jogada na terra (cf.4,3ss), vai produzir frutos além da expectativa. Mas sentir-se-á abandonado por todos, pois um discípulo prefere fugir nu (14,52) a se comprometer com o Mestre. Este, na cruz, sente-se abandonado pelo próprio Deus (cf. 14,34).

5. O evangelho de Marcos é apenas o início da Boa Notícia. Depois que ressuscitou, Jesus precede os discípulos na Galileia (cf.16,7), lugar de gente marginalizada, para a qual a prática de Jesus se tornou de fato notícia alegre, pois trazia, junto com as palavras, a libertação dos oprimidos.

6. É lá, – na Galileia do dia-a-dia,- que os discípulos se encontrarão com Jesus, desde que façam no hoje de sua história as mesmas coisas que o Mestre fez para libertar os oprimidos. O evangelho de Marcos é sempre um início, a fim de que Jesus seja Boa Notícia para quem sofre.

7. Jesus é o Messias e Filho de Deus. Comparecendo diante do Sinédrio, o sumo sacerdote o interroga: “És tu o Messias, o Filho do Deus Bendito?” (14,61). E Jesus confessa: “Eu sou. E vocês verão o Filho do homem sentado à direita do Todo-Poderoso, e vindo sobre as nuvens do céu” (14,62). É a única vez no evangelho de Marcos, que Jesus afirma ser o Messias, o escolhido por Deus para realizar seu projeto de liberdade e vida.

8. O que soa blasfêmia para a sociedade que mata (14,63) é a maior profissão de fé de quem nele crê e a ele adere. No relato da paixão seu messianismo adquire pleno significado: ele é o Filho ungido pelo Pai.
– Uma mulher unge a cabeça de Jesus (14,3), reconhecendo-o Messias.
– O Sinédrio rejeita e condena à morte.
– O oficial romano reconhece nele o Filho de Deus: “de fato, esse homem era mesmo Filho de Deus” (15,39).

9. Jesus é Messias-Rei, mas sua realeza se distancia dos padrões de poder e autoridade daquele tempo e de hoje. Quando os soldados o vestem com um manto vermelho, põem em sua cabeça uma coroa de espinhos e o saúdam, estão na verdade ridicularizando os poderes deste mundo que assim se vestem e oprimem. Jesus é Rei porque se despoja desse tipo de poder e se afasta do círculo dos poderosos (cf.15,21), dando a vida pelos seus.

10. De réu diante do Sinédrio ele se torna juiz (o Filho do Homem sentado à direita do Todo Poderoso e vindo sobre as nuvens de 14,62 recorda o juiz de Daniel 7,13), e juiz que desmascara todo tipo de poder que explora e oprime o povo.

11. Jesus crucificado é o verdadeiro Rei. É o Messias da cruz. Tendo um bandido à direita e outro à esquerda (15,27), ele se apresenta nos moldes das aparições públicas dos reis daquele tempo, que se mostravam ao povo ladeados por seus auxiliares imediatos. Mas sua realeza é diferente, pois está a serviço dos condenados que a sociedade julga fora-da-lei (cf.15,28).

12. Quando Jesus foi batizado, o céu se rasgou (1,10), realizando o sonho de Is 63,19, traduzindo assim o fim do aparente silêncio de Deus. Quando morreu na cruz, a cortina do Santuário se rasgou de alto a baixo (15,38), decretando o fim da sociedade e da religião patrocinadoras de morte para o povo. Esta é a Boa Notícia que a morte e ressurreição de Jesus trazem às pessoas de todos os tempos e lugares.

1ª. Leitura: Is 50, 4-7

13. O nosso texto (parte do terceiro canto do Servo de Javé) do Segundo Isaías (profeta do cativeiro da Babilônia -586-538 a.C) pertence a uma seção maior que abrange os capítulos 49-55 e cujo tema central é a restauração política de Jerusalém, a cidade-esposa de Javé, símbolo da reconstrução de todo o povo. Os exilados se queixam de que Deus tenha sido desleal à aliança: em termos matrimoniais, repudiou a esposa; em termos comerciais, vendeu os filhos como escravos para pagar dívidas.

14. A resposta de Javé (50,1-3) precede o terceiro canto do Servo Sofredor: repudiada, sim, mas legitimamente, por própria culpa (Dt 24,1-4; Jer 3,8); vendidos, sim, mas não por dívidas, e, sim, como castigo (Jz 3,8; 4,2). “Assim diz o Senhor: onde está a ata de repúdio com a qual despedi vossa mãe? Ou, a qual de meus credores vos vendi? Vede, por vossas culpas fostes vendidos, por vossos crimes vossa mãe foi repudiada (50,1).

15. A mudança de Deus é por pura bondade e compaixão. Ninguém responde ao desafio: nem os presumidos credores, por temor, nem o povo, por dúvida. Para dissipar toda dúvida, o Senhor apela para seu poder sobre todo o cosmo (50,2-3).

16. A missão do Servo é mostrar, – à custa das ofensas recebidas, – que o amor de Javé, é perene. Os versículos 4-7 mostram o que Javé faz para o Servo em vista do bem do povo e revelam o Servo responsável, plenamente obediente e fiel:
16.1. – o Senhor Javé dá ao Servo a capacidade de falar como alguém que aprende dele, para levar conforto ao povo;
16.2. – o Senhor Javé abre-lhe os ouvidos para que aprenda dele, como discípulo fiel, para transmitir o que o ouviu;
16.3. – o Senhor Javé lhe dá proteção.
16.4. – Em síntese, o Senhor o prepara para a missão.

17. Em contrapartida, o Servo – para não trair a mensagem, – dá as costas aos que o torturam (=não oferece resistência); toma a iniciativa de oferecer a face aos que lhe arrancam a barba (=sinal de grande humilhação; o servo não liga para a perda de honradez); não esconde o rosto à ofensa maior: injúrias e escarros. O rosto manifesta os sentimentos e desejos de uma pessoa. Torná-lo duro como pedra (v.7) significa não levar em conta toda e qualquer espécie de ofensa, em vista da opção assumida.

18. Para completar : Graças à sua coragem e ao auxílio divino (vv.7-9), Ele suportará as perseguições (vv.5-6) até que Deus lhe conceda um triunfo definitivo (v.9-11).

2ª. Leitura: Fl 2, 6 – 11

19. O hino de Filipenses 2,6-11 é um hino a Jesus Cristo Senhor e por ele ao Pai.
Tem dois movimentos: humilhação e exaltação.
O primeiro movimento de cima para baixo fala do esvaziamento de Jesus. A tradução esvaziou-se (do grego Kénosis) é melhor, mais audaz e vigorosa que humilhou-se, pois nos faz pensar por contraste na “plenitude” e traduz vários degraus:
– Jesus não se apegou à sua igualdade com Deus,
– mas esvaziou-se e tornou-se escravo, semelhante aos homens;
– humilhou-se,
– fez-se obediente até a morte de cruz.

20. Jesus, consciente e livremente, despoja-se de tudo. Seu lugar social é junto aos escravos, sem privilégios, marginalizados e condenados. A condição de escravo é a condição humana submetida a Deus. Faz-se à “imagem e semelhança” (homoiómati) do homem, dos homens.

21. Humilhou-se, fez-se obediente até a morte de cruz. A obediência ao Pai define toda a sua existência humana até o extremo da cruz. Chegando ao ponto mais baixo (na cruz) acontece a exaltação por ação de Deus.

22. Jesus – consciente e livremente – esvaziou-se e despojou-se de tudo e colocou-se ao lado dos escravos, sem privilégios e condenados. Não há outra forma de revelar o projeto de Deus, a não ser esvaziando-se de todas as realidades humanas, das quais com muita dificuldade abrimos mão (prerrogativas, posição social, honra, dignidade, fama e o mais precioso, a própria vida). Jesus perdeu todas essas coisas. Desceu ao mais profundo do poço da miséria e da solidão humana (Jesus, despojado de tudo, parece abandonado até por Deus). Chegou à maior baixeza: fez-se servo e foi morto (como um bandido) na cruz.

23. O preço da encarnação foi a cruz. E o evangelho de Paulo é exatamente o evangelho de um crucificado. Habituados a pensar na divindade de Jesus, perguntamos: onde foi parar sua divindade? Ficou escondida por um momento? Ou era justamente – no fato de ser plenamente humano – que ele revelava o “ser de Deus”? Imaginar que Deus seja um ser desencarnado e abstrato é a desculpa de alguns para fugir à difícil tarefa de nos encarnarmos nas realidades humanas mais sofridas. Ao fazermos isso, teremos de nos despojar de uma série de coisas, das quais Jesus se despojou: prerrogativas, status, fama, promoção pessoal, poder, dominação, etc. ( … das quais nós dificilmente nos despojamos …).

24. Ponto alto da 1ª. parte do hino está na maior baixeza: Jesus se fez servo e foi morto como um bandido na cruz. Essa foi sua opção de vida consciente. Esse hino retoma o texto de Isaías no quarto canto do Servo de Javé (Is 52,13-53,8).

25. O segundo movimento do hino é de baixo para cima. Aqui o sujeito é Deus. É Ele quem exalta Jesus, ressuscitando-o e colocando-o no posto mais elevado que possa existir. O Nome que recebeu do Pai é o título de SENHOR – Senhor do universo e Senhor da história. Diante dele toda a criação se prostra em adoração! (2,10). (Esta segunda parte também se inspira no quarto canto do Servo de Javé).

26. Exaltou (o verbo grego é enfático): o nome é “Jesus”, o título é “Senhor” que corresponde a altíssimo (Kyrios = Senhor = Adonai = Javé = Deus). Perante o Senhor e Deus só há uma atitude de adoração a tomar: todo joelho se dobre … toda língua confesse … Jesus Cristo é o Senhor! E todo o movimento termina endereçando tudo “para a glória de Deus Pai”.

27. Deus Pai é glorificado quando as pessoas reconhecem em Jesus o humano divinizado … o humano que passou pela encarnação das realidades mais sofridas e humilhantes, culminando com a morte na cruz (condenação imposta a criminosos). Evangelho é, portanto, o anúncio daquele que se fez servo obediente até a morte e morte de cruz. E esse anúncio não acontece sem que as pessoas também se encarnem e apostem a vida, como fez Paulo.

28. Ele, apesar da sua condição divina,
… esvaziou-se,
… fazendo-se semelhante aos homens,
… tornou-se obediente até a morte,
… e morte de cruz;
… por isso, Deus o sobre-exaltou grandemente,
… e lhe deu o nome superior
… Jesus Cristo é o Senhor!

R e f l e t i n d o . . .

1. A primeira parte de Marcos é marcada pelo caráter velado da obra messiânica de Jesus. Este traz o Reino de Deus presente, mas não de modo manifesto. Apenas o deixa entrever em sinais de sua autoridade (1,21, 2,10,…), melhor reconhecidos pelos demônios do que pelos discípulos.

2. Aponta a presença escondida do Reino, narrando parábolas (Mc 4). Suscita admiração por seus grandes milagres, que mostram seu domínio da natureza. Prefigura o banquete escatológico (5,34-44). Mas o mistério de sua missão e personalidade fica escondido até para os discípulos (8,14ss). A cura dos olhos do cego de Betsaida marca um início de mudança (8,22ss). Os discípulos reconhecem Jesus como Messias (8,27-29), porém, entendem-no em categorias humanas e não divinas (8,31-33).

3. Mediante as predições da Paixão e ensinamento sobre o seguimento e o serviço, Jesus prepara seus discípulos para a reta compreensão de seu messianismo: não à maneira militaresca de “filho de Davi” (Davi era guerreiro), mas à maneira do Rei-Messias humilde e esmagado de Zc 9 (Mc 8,27-10,45). A cura do cego de Jericó é o sinal de uma visão crescente (10,46), … mas Jerusalém fica ainda na ambiguidade: aclama como rei davídico aquele que entra sentado num burrinho (como o rei de Zc 9) e que, no fim de seu ensinamento em Jerusalém, declarará absurda a mera identificação do Messias com o filho de Davi (12,37).

4. Jesus é mais que o filho de Davi. Ele é o Filho querido de Deus (1,11; 9,7; 15,39), o Servo que, – em obediência ao incansável amor de Deus para com os homens, – dá sua vida, realizando em plenitude o que o Servo de Deus em Isaías 52-53 prefigurou.

5. Mas como Filho de Deus, ele é também o Filho do Homem, portador dos plenos poderes escatológicos. Sua condenação, -sob falsas alegações religiosas e políticas,- significa o primeiro passo para sua vinda gloriosa e o juízo sobre o mundo (Mc 14,62), que ele havia anunciado imediatamente antes de sua paixão (Mc 13). É a dispersão escatológica (Mc 14,27), prelúdio da reunião do rebanho pelo pastor escatológico, de- pois da ressurreição (14,28). É o início do tempo final, prelúdio da vinda definitiva (que os primeiros cristãos esperavam para breve). Para nós, hoje, esta cristologia de Marcos significa uma crítica a qualquer messianismo imediatista, que recorre à imposição e não à paciência do testemunho até o sangue (=martírio).

6. Jesus traz o Reino de Deus não de forma manifesta, mas o deixa entrever em sinais de sua autoridade:
– os demônios que ele expulsa o reconhecem;
– os gestos de Jesus apontam para o Reino: a partilha do pão (mas os discípulos não entendem);
– a abertura dos olhos do cego de Betsaida anuncia uma mudança;
– os discípulos não reconhecem o Messias nos caminhos do Servo Sofredor;
– os ensinamentos sobre o seguimento e o serviço;
– a abertura dos olhos do cego de Jericó.

7. A narração da Paixão fornece uma “chave de leitura” para entender a mensagem de Jesus. O sumo sacerdote pergunta se ele é o Messias, o Filho de Deus. Jesus responde: “sou, sim, e vereis o Filho do Homem sentado à direita do Todo-Poderoso e vindo com as nuvens do céu” (Mc 14,61).

8. O mundo pergunta se ele é o Filho de Deus, e ele responde que é o Filho do Homem … Este Filho do Homem é uma figura que vem da profecia de Daniel (Dn 7,13-14). É o enviado celestial que esmaga as quatro feras que disputam o domínio sobre o mundo. Simboliza o Reino de Deus. O Reino de Deus, (que vence os reinos “ferozes” deste mundo) , tem rosto humano. Para nós, tem o rosto de Jesus. Assim, – na Paixão de Jesus, – Filho do Homem e Filho de Deus significam a mesma coisa. Jesus é o Filho querido de Deus, que une sua vontade à do Pai, para, – pelo dom da própria vida, – vencer as feras que dominam este mundo e quebrar sua força definitivamente.

9. Ao ser condenado pelo sumo sacerdote de seu povo, ele se proclama portador de uma autoridade: a do Filho do Homem. Quando ele morre na cruz, por causa da justiça e do amor, – o representante do mundo universal, o militar romano, exclama: “Este era de fato Filho de Deus”. Ambos os títulos significam o respaldo que Deus dá a Jesus, e que se verificará na gloriosa ressurreição dentre o mortos.

Jesus é vencedor pela morte por amor em obediência filial (Filho de Deus), mas também pelo julgamento que derrota o poder deste mundo (Filho do Homem).

10. Muitos pensam que Deus obrigou Jesus a morrer para pagar com seu sangue os nossos pecados. Será que um tal Deus se pode chamar de “Pai”? O que significa: Jesus foi obediente até a morte? No relato da paixão de Nosso Senhor o evangelista Mateus coloca na boca de Jesus as palavras do Pai-nosso: “seja feita a tua vontade” (26,42). Mateus vê o Messias sob o ângulo da realização do projeto do Pai. Jesus realiza o modelo do Servo-Discípulo, que pede a Deus “um ouvido de discípulo” para proclamar a sua vontade com “boca de profeta” e lhe ser fiel até o fim.

11. A fidelidade à missão de Deus é que faz de Jesus o Messias e Salvador. Jesus não veio para “fazer qualquer coisa”, mas para realizar o projeto do Pai. Ensina-nos a obediência até a morte, como instrumento de salvação do mundo. Pois quem sabe o que é preciso para salvar o mundo é Deus. Ele sabe que a morte daquele que manifesta seu amor infinito é a resposta suprema ao supremo desafio do mal. Jesus poderia ter sido infiel a Deus, pois era livre. Mas então teria sido infiel a si mesmo, Servo, Discípulo, Messias e Filho. Levou a termo a obra iniciada: pregar e mostrar o amor de Deus – até no dom da própria vida.

12. O exemplo de Cristo nos ensina o caminho da libertação. Vamos realizar a missão de libertar o mundo pela fidelidade radical à vontade do Pai. Por isso, devemos “prestar-lhe ouvidos” – sentido original de “obediência”. Obedecer não é deserção nem negação da liberdade. É unir nossa vontade com a vontade do Pai, para realizar seu projeto de amor, e unir com outras vontades (humanas) que estão no mesmo projeto. E é também dar ouvidos ao grito dos injustiçados, que denuncia o pisoteamento do plano de Deus. Só depois de ter escutado todas essas vozes poderemos ser verdadeiros porta-vozes, profetas, para denunciar … e anunciar … Profetismo supõe contemplação e obediência!

13. Deus não obrigou Jesus a pagar por nós, nem desejou a morte dele. Só desejava que ele fosse seu Filho. Esperava dele fidelidade a seu plano de amor e que ele agisse conforme este plano. E Jesus foi fiel a esta missão até o fim. Quem quis a sua morte não foi Deus, e sim, os homens que o rejeitaram.

14. A 1ª. leitura retrata um momento importante da pedagogia da salvação: o povo de Deus começou a entender que o plano de Deus não se realiza pela força, mas antes, pela doação do “justo”. Em Jesus nós contemplamos a plenitude dessa realização. “Ninguém tira a vida de mim … eu a dou livremente” (Jo 10,17-18).

15. A 2ª. leitura é o primeiro hino cristológico conhecido. Resume o mistério do despojamento do Senhor, na figura do Servo, e que, por sua obediência até a morte (= o amor radical que manifesta Deus-Amor) é glorificado no senhorio de Deus.

16. Aliás, esta ideia de Cristo Senhor inspira o início da liturgia de hoje, a procissão de ramos. O dado evangélico é a entrada de Jesus em Jerusalém, onde é recebido como o rei davídico (“filho de Davi”), o Messias. Para Mateus isso significa o cumprimento das antigas promessas messiânicas. Os fiéis, unindo-se a esta homenagem, cantando a glória do Cristo e Senhor e abanando os ramos, se unem para confirmar o gesto mais significativo do povo, que Jerusalém esqueceu dentro de poucos dias. No fundo, esta é a mais antiga festa de Cristo Rei. Assim este domingo é marcado pelo mistério do esvaziamento (sofrimento) e da glória (senhorio) do Senhor Jesus.

17. A morte de Jesus não é um fracasso, um caminho sem saída, mas a inauguração da paz e salvação plena na presença de Deus. Sua morte é consequência da sua vida, da sua doação plena ao projeto de salvação operado por Deus na história humana. É o cume do anúncio do Reino de Deus. É a manifestação do Reino de Deus, ou seja, da justiça e da fidelidade.

18. Na decisão do sumo sacerdote, magistrados e da multidão em condenar Jesus, transparece a total rejeição do projeto de Deus, realizado no homem de Nazaré. A morte de Jesus situa-se no final de uma série de infidelidades e rebeliões contra o projeto de Deus ao longo da história.

19. A obediência de Jesus ao Pai significa – antes de tudo – que Jesus levou ao cumprimento pleno e perfeito o projeto de amor de Deus para com o ser humano. Nem mesmo a tortura da cruz, faz Jesus desistir de mostrar às pessoas quem é o Pai e qual é a sua proposta para o ser humano.

 

Material Elaborado pelo Prof. Ângelo Vitório Zambon – Comissão Arquidiocesana de Liturgia – Campinas Fontes: Bíblia de Jerusalém, Bíblia do Peregrino, Dicionário Bíblico (Mckenzie), Liturgia Dominical (Konings), Dicionário de Liturgia, Vida Pastoral, Homilias e Sugestões (BH), Roteiros Homiléticos (Bortolini).

Domingo de Ramos: dia da Coleta Nacional da Solidariedade

No próximo domingo, dia 1º de abril, dioceses, paróquias e comunidades de todo país celebrarão o Domingo de Ramos, dia em que os cristãos de todo o mundo fazem memória a entrada de Jesus em Jerusalém. É nesta data que a Igreja realiza a Coleta Nacional da Solidariedade, gesto concreto da Campanha da Fraternidade, em que todas as doações financeiras realizadas pelos fiéis farão parte dos Fundos Nacional e Diocesano de Solidariedade.

Voltado para o apoio a projetos sociais, os fundos são compostos da seguinte maneira: 60% do total da coleta permanecem na diocese de origem e compõe o Fundo Diocesano de Solidariedade e 40% são destinados para o Fundo Nacional de Solidariedade. O resultado integral da coleta da Campanha da Fraternidade de todas as celebrações do Domingo de Ramos será encaminhado à respectiva diocese.

Clique aqui e veja estatísticas sobre a Coleta Nacional da Solidariedade

Em 2012, com o tema “Fraternidade e Saúde Pública”, a Campanha da Fraternidade (CF) reflete junto aos seus fiéis temas como a atual situação do Sistema Único de Saúde (SUS). De acordo com o texto base da CF 2012, dados do IBGE mostram que enquanto os mais ricos usam a maior parte de seu orçamento com saúde no pagamento de planos privados, os mais pobres têm os remédios como item de maior consumo de seus gastos com saúde.

 

Com informações da CNBB

Catequese e Liturgia: duas faces do mesmo mistério (II), por Pe. Vanildo de Paiva

1. O Concílio Vaticano II e a catequese

O Concílio Vaticano II não tratou especificamente da Catequese, mas o pouco que disse foi suficiente para iluminar a sua caminhada até os dias atuais. O Decreto sobre a atividade missionária da Igreja, Ad Gentes, ressalta o grande valor da catequese na ação pastoral, dizendo que “o ofício dos catequistas assume máxima importância em nossos dias(…) diante da tarefa de evangelizar tantas multidões”…(17,914). Já o Decreto Christus Dominus, sobre a ação pastoral dos bispos, pede aos pastores que “Preocupem-se com a instrução catequética, que tem por fim tornar viva, explícita e operosa a fé ilustrada pela doutrina, seja administrada com diligente cuidado quer às crianças e adolescentes, quer aos jovens e mesmo adultos(…). Esta instrução se baseie na Sagrada Escritura, na Tradição, na Liturgia, no Magistério e na vida da Igreja”(14,1043).Em se tratando da necessária interação entre catequese e Liturgia, foi a Declaração sobre a Educação Cristã, intitulada Gravissimum Educationis, que mais claramente definiu o objetivo da catequese, ao afirmar que ela “ilumina e fortifica a fé, nutre a vida segundo o espírito de Cristo, leva a uma participação consciente e ativa no mistério litúrgico e desperta para a atividade apostólica”(4,1509).

2. Catequese Hoje

O papa João Paulo II escreveu um importante documento sobre a catequese, chamado Catechesi Tradendae, no qual afirma:  “A catequese está intrinsecamente ligada com toda a ação litúrgica e sacramental, porque é nos Sacramentos, e sobretudo na Eucaristia, que Cristo Jesus age em plenitude para a transformação dos homens.(…) A catequese leva necessariamente aos sacramentos da fé. Por outro lado, uma autêntica prática dos Sacramentos tem forçosamente um aspecto catequético. Por outras palavras, a vida sacramental se empobrece e bem depressa se torna um ritualismo oco, se ela não estiver fundada num conhecimento sério do que significam os sacramentos. E a catequese intelectualiza-se, se não haurir vida numa prática sacramental” (CT 23).

3. O documento Catequese Renovada

Mas o grande marco na dimensão catequética, para nós, brasileiros, foi o documento 26 da CNBB, Catequese Renovada (CR). Seu impacto mudou a rota da caminhada da catequese, além de influenciar profundamente outras dimensões da pastoral da Igreja, tal foi o seu alcance. Dois números desse documento merecem destaque por refletirem a importante interação entre Catequese e Liturgia. No número 89 se lê: “Não só pela riqueza de seu conteúdo bíblico, mas pela sua natureza de síntese e cume de toda a vida cristã, a Liturgia é fonte inesgotável de Catequese. Nela se encontram a ação santificadora de Deus e a expressão orante da fé da comunidade.  As celebrações litúrgicas, com a riqueza de suas palavras e ações, mensagens e sinais, podem ser consideradas uma “catequese em ato”. Mas, por sua vez, para serem bem compreendidas e participadas, as celebrações litúrgicas ou sacramentais exigem uma catequese de preparação ou iniciação”. E o número posterior acrescenta: “A Liturgia, com sua peculiar organização do tempo (domingos, períodos litúrgicos como Advento, Natal, Quaresma, Páscoa, etc) pode e deve ser ocasião privilegiada de catequese, abrindo novas perspectivas para o crescimento da fé,  através das orações, reflexão, imitação dos santos, e descoberta não só intelectual, mas também sensível e estética dos valores e das expressões da vida cristã” (CR 90).